domingo, 22 de novembro de 2009

♥ Ângela Maria ♥



No universo musical, ela é uma fabulosa cantora, uma das melhores cantoras de todos os tempos, amada por gerações, amada por compositores, pois dá uma interpretação única as canções, cantora preferida por Ary Barroso entre outros. Elis Regina citou-a como a mehor cantora do Brasil, quem podería ser? Ângela Maria, é claro.
Ângela Maria, nome artístico de Abelim Maria da Cunha (Conceição de Macabu, 13 de maio de 1928) é uma das mais marcantes cantora brasileira.
Começou cantando em coro de Igreja. Enquanto trabalhava numa fábrica de lâmpadas, participava, às escondidas, de programas de calouros. Adotou o nome de Ângela Maria para não ser identificada pela família. Como ganhava todos os concursos, foi cantar no famoso Dancing Avenida e depois na rádio Mayrink Veiga. Em 1951 gravou o primeiro disco. Veio assim o sucesso que sempre a acompanhou. Atuou em cinema, no longa-metragem Portugal, Minha Saudade (1973).
Ângela Maria consagrou-se como uma das grandes intérpretes do gênero samba-canção (surgido na década de 1930), ao lado de Maysa, Nora Ney e Dolores Duran.
Gravou dezenas de sucessos como Não Tenho Você, Babalu, Cinderela, Moça Bonita, Vá, mas Volte, Garota Solitária, Falhaste coração, Canto paraguaio, A noite e a despedida, Gente humilde, Lábios de mel, etc.

Em 1996, foi contratada pela gravadora Sony Music e lançou o CD Amigos, com a participação de vários artistas como Roberto Carlos, Maria Bethânia, Caetano Veloso, Chico Buarque, entre outros. O trabalho foi um sucesso, celebrado num espetáculo no Metropolitan, atual Claro Hall (Rio de Janeiro), e um especial na Rede Globo. O disco vendeu mais de 500 mil cópias.
Foi uma fase muito feliz da carreira da cantora que, no ano seguinte, apresentou o álbum Pela Saudade que Me Invade, com sucessos de Dalva de Oliveira, e um ano depois gravou, com Agnaldo Timóteo, o CD Só Sucessos, também na lista dos cem álbuns nacionais mais vendidos. Após a saída da Sony, Ângela voltou a gravar em 2003, desta vez pela Lua Discos, o Disco de Ouro, com um viés eclético, abrangendo compositores que vão de Djavan a Dolores Duran.
Abelim Maria da Cunha, verdadeiro nome de Ângela Maria, nasceu em Macaé, RJ, em 13 de maio de 1928. Filha de pastor protestante, passou a infância nas cidades fluminenses de Niterói, São Gonçalo e São João de Meriti, e desde menina cantava em coro de igrejas. Foi operária tecelã, mas sonhava com o radio, embora a família – por princípios religiosos – fosse contra a carreira artística. Por volta de 1947, começou a freqüentar programas de calouros.
Apresentou-se no Pescando Estrelas, de Arnaldo Amaral, na Radio Clube do Brasil (hoje Mundial), na Hora do Pato, de Jorge Curi, na Radio Nacional, e no programa de calouros de Ari Barroso, na Rádio Tupi. Usando o nome de Ângela Maria, para não ser descoberta pela família, participou também do Trem da Alegria, dirigido pelo "Trio de Osso" (os magérrimos Lamartine Babo, Iara Sales e Heber de Bôscoli), na Radio Nacional.
Logo sua voz foi se tornando conhecida dos ouvintes, o que dificultou sua participação nesses programas, pois ela estava deixando de ser caloura. Nessa época, era inspetora de lâmpadas numa fabrica da General Eletric e, decidindo tentar realmente a carreira de cantora, abandonou a família e foi morar com uma irmã no subúrbio de Bonsucesso.
Em 1948 conseguiu lançar-se como crooner no Dancing Avenida. Em sua noite de estreia, cantou Olhos verdes (Herivelto Martins e Benedito Lacerda). No dancing, foi ouvida pelos compositores Erasmo Silva e Jaime Moreira Filho, que a apresentaram a Gilberto Martins, diretor da Radio Mayrink Veiga. Feito o teste, começou carreira na emissora, interpretando musicas de Othon Russo e Ciro Monteiro, compositores que a ajudaram a criar um repertório pessoal, abandonando a influência de Dalva de Oliveira.
Firmando-se a partir de 1950 como intérprete, em 1951 estreou em disco com Sou feliz (Augusto Mesquita e Ari Monteiro) e Quando alguém vai embora (Ciro Monteiro e Dias Cruz), na Victor. No ano seguinte, sua gravação do samba Não tenho você (Paulo Marques e Ari Monteiro) bateu recordes de venda, marcando o primeiro grande sucesso de sua carreira. Durante a década de 1950, atuou intensamente no rádio, apresentando-se na Radio Nacional, nos programas de César de Alencar e Manuel Barcelos, e na Rádio Mayrink Veiga, como a estrela de A Princesa Canta, nome derivado de seu titulo de Princesa do Radio, um dos muitos que recebeu em sua carreira.
Em 1954, em concurso popular, tornou-se a Rainha do Radio, e no mesmo ano estreou no cinema, participando do filme Rua sem sol, de Alex Viany. Apelidada Sapoti pelo presidente Getúlio Vargas, tornou-se a cantora mais popular do Brasil durante a década de 1950, alcançando os maiores êxitos com os sambas-canções Fósforo queimado (Paulo Marques, Milton Legey e Roberto Lamego), Vida de bailarina (Américo Seixas e Chocolate), Orgulho (Valdir Rocha e Nelson Wederkind), Ave Maria no morro (Herivelto Martins) e Lábios de mel (João Vilaça Júnior e Nage), alem da canção afro-cubana Babalu (Margarita Lecuona).
Voltando a gravar na RCA Victor em fins da década de 1950, em 1963 viajou para Portugal e África, cantando para soldados portugueses que então lutavam nas colônias. Um de seus grandes êxitos na segunda metade da década de 1960 foi a canção Gente humilde (Garoto, Chico Buarque e Vinícius de Moraes).
Em 1975, com 25 anos de uma carreira de muitos sucessos, preferia apresentar-se em clubes do interior ou em churrascarias das grandes cidades, ambientes onde, ao contrario da televisão e das boates sofisticadas, sentia mais de perto a reação do povo. Em 1979, com João da Baiana, participou do documentário Maxixe, a dança perdida, de Alex Viany. Em 1982 foi lançado o LP Odeon com Ângela Maria e Cauby Peixoto, primeiro encontro em disco dos dois intérpretes. Em 1992 apresentou-se com Cauby no show Canta Brasil, com grande sucesso de publico, sendo lançado em disco Ângela e Cauby ao vivo (RCA/BMG, 1992).
Considerada, ao lado de Elis Regina, uma das mais puras vozes da musica popular brasileira, continua a apresentar-se em espetáculos e em televisão.
Ângela Maria comemora 50 anos de carreira
A lenda viva da MPB revela a Rodrigo Faour que já teve medo de ser esquecida e se diz lisonjeada com a homenagem que acaba de receber na Banda de Ipanema (RJ)
"Todos eles estão errados/ A lua é dos namorados". Puxando esse refrão, que embalou os foliões do carnaval de 1961, Ângela Maria abriu, no último dia 10, a 36ª edição da Banda de Ipanema no Rio de Janeiro, quando foi homenageada desfilando pelas ruas do bairro sobre um trio elétrico. Consagrada, a cantora emocionou-se ao ver uma multidão de jovens pedindo que ela voltasse a cantar no encerramento da banda.

Nada mal para quem está completando neste ano 50 anos de carreira num país em que a mídia não costuma prestigiar veteranos. Nessas cinco décadas, Ângela ficou famosa por sua voz quente em interpretações bastante passionais. Influenciou muitas cantoras que a sucederam, como Clara Nunes, Elis Regina e Fafá de Belém. Também foi a mulher que lançou mais discos no país, gravando muitas vezes no primeiro take e sem produtor do lado. Intuitiva, Ângela jamais estudou canto e mesmo oriunda de uma família de evangélicos, não se furtou a fugir de casa para perseguir o sonho de ser cantora.
A carreira da Sapoti começou muito bem. Seu segundo disco em 78 rotações, Não Tenho Você (51), foi um grande sucesso. Logo depois, vieram inúmeros outros que a mantiveram nas paradas por pelo menos 15 anos consecutivos, como Nem Eu, Vida de Bailarina, Abandono, Fósforo Queimado, Lábios de Mel, O Arlequim de Toledo, Falhaste Coração e tantos outros. Foi três vezes eleita Rainha do Rádio, entre 53 e 55. Em 58, ela gravaria seu carro-chefe, o mambo cubano Babalu, ao lado da orquestra de Waldir Calmon. A voz quente e de belo alcance vocal, com floreios à Yma Sumac e Dalva de Oliveira - sua principal inspiração e a quem imitava na época de caloura de rádio e crooner do famoso Dancing Avenida - arrebatou o Brasil e a fez ser uma de nossas cantoras mais populares de todos os tempos.
O repertório de Ângela sempre foi muito eclético. Era capaz de cantar das coisas mais lindas às maiores tolices, do samba-canção ao tango, do bolero à marchinha de carnaval, mas sempre com tom de nobreza. Nos anos 60, após alguns sucessos kitsch como o cha cha cha Garota Solitária e o samba-canção Cinderela, ela ainda conseguiu se manter gravando - a duras penas. Era uma época difícil para os cantores de sua geração, mas ela emplacou dois sucessos, Gente Humilde (70), sua canção preferida, e Tango para Teresa (75).
Na vida pessoal, Ângela também passou maus bocados por ingenuidade, confiando cegamente em maridos e assessores que quase a levaram à falência. Problemas superados, ela se casou com um homem 30 anos mais novo, Daniel D'Angelo, que conseguiu estabilizar sua vida. Foi quando passou a gravar discos mais bem produzidos, com canções de compositores mais modernos - muitos dos quais seus fãs, como Djavan, Gonzaguinha, João Bosco e Moraes Moreira. Mito da música popular brasileira, Ângela Maria abre o coração para CliqueMusic e fala sobre os altos e baixos, os sucessos e a fama que lhe renderam sua longa e intensa carreira.

Pergunta:- Como você se sentiu sendo aclamada por uma multidão de jovens na Banda de Ipanema este ano?
Ângela Maria - Lembro-me de ouvir falar na Banda de Ipanema desde a época da Leila Diniz. Associo à Leila porque ela era muito famosa, alegre, extrovertida, maravilhosa. O Albino Pinheiro me convidava sempre para sair na banda, mas eu sempre dizia que não era a minha praia, que não sabia pular e dançar, que não gostava de carnaval. Dizia: "Vou ficar parada que nem uma múmia, não tenho espírito carnavalesco." "Mas o pessoal quer ver você", ele dizia. Nunca aceitei. Ele morreu e foi um choque tremendo. Albino tinha grandes planos para mim, era uma pessoa que, quando via que eu estava sumida do Rio, me chamava e dizia: "As pessoas têm que saber que você está viva". Porque quando o artista não está com músicas na parada, muita gente pensa que ele já morreu... Albino sempre me deu a mão, sempre muito bom e carinhoso comigo. Quando recebi o convite do irmão dele, Cláudio, para sair na banda nesse ano ainda hesitei, mesmo assim. O Daniel (meu marido) é que disse: "Acho que você deve ir porque quem criou a banda foi o Albino e ele ficaria muito feliz de vê-la ali". Aceitei.

Eu tinha na minha cabeça que a banda era um monte de doido pulando e só. Qual a minha surpresa... É como uma família muito unida. No final, tive que cantar. O povo pensou que era show. Cantei As Pastorinhas, Bandeira Branca, A Lua É dos Namorados - grande sucesso meu de Carnaval -, Ta-Hi, da Carmen Miranda. Uma coisa linda, fantástica! De repente, com o tempo que tenho de carreira e com a minha idade, pensava que só as pessoas do meu tempo é que lembravam de mim. E vi que não é bem assim, porque aqueles jovens eram os que mais se declaravam a mim. "Ângela, te amo", diziam. Eram meninos de vinte e poucos anos... Então, pensei: "Nossa, olha aí, eles me conhecem."
Ângela Maria na época de ouro do Rádio
Pergunta
:- No decorrer de sua carreira, alguma vez você teve medo de ficar esquecida?
Ângela Maria - Se algum cantor, ator ou atriz disser "Imagine, eu não, nunca tive medo", isso é mentira. Todo mundo tem medo de ser esquecido. O cantor quando liga o rádio e não ouve seu disco tocando pensa que já acabou. Tive vários altos e baixos e já fiquei muitas vezes estacionada, sem subir nem descer. Vivi essa situação várias vezes e vi colegas também na mesma situação. Só que, no caso de alguns deles, os holofotes se apagaram de vez, o que me deixou muito triste. Além de ser uma dádiva de Deus o meu cantar, creio que permaneço até hoje por Sua ajuda. Acho que fui escolhida por Deus.
Pergunta:- Nem todas as músicas que você gravou eram maravilhosas. Havia algumas mesmo que eram terríveis... Se arrepende de ter gravado alguma?
Ângela Maria - Ih! Se eu começar a olhar, disco por disco (risos). Uma vez gravei nos Estados Unidos uma do Nelson Ned, que defendi num festival no começo dos anos 70. Esse disco, por exemplo, jogaria no lixo. Teria quebrado... Tem umas músicas horrorosas numa época em que só dava rock balada (N.R.: final dos anos 60). Por isso, tem um disco (N.R. Ângela em Tempo Jovem) em que fiz a foto montada numa moto, combinava bem... (risos)
Pergunta:- Você gravou até uma que se chama Quero Morrer de Catapora...
Ângela Maria - É verdade (gargalhadas). Mas aí era marchinha de carnaval, e em carnaval vale tudo...
Pergunta:- Quem escolhia seu repertório e como era o processo de gravação?
Ângela Maria - Antigamente era eu mesma, depois não. Houve época em que gravava sem a presença de um produtor. Não pode! Até para o seu estado de espírito, o produtor tem que estar presente. De repente, você está nervoso, está rouco e pensa que não tem mais voz, então ele chega e diz: "Vamos tomar um café, vamos dar uma paradinha". (risos). O produtor é um padre, um irmão, um pai, um amigo. Por várias vezes, entrei no estúdio ao lado apenas do técnico de gravação. Em 77, gravei assim um disco de fados e outro de tangos. Como faltavam dois discos para eu liquidar meu contrato com a Copacabana, gravei ambos numa semana.
Não sei como saiu bonito... Não tive produtor. Deram-me a lista de músicas e disse: "Tudo bem, vou gravar". Estava querendo sair mesmo da gravadora e a lista que me deram era só de canções que eu já conhecia. Como nunca fui problemática para gravar, fiz de uma vez só as 24 músicas. Para mim, estava tudo sempre ótimo. Mas quando o produtor está do lado, ele puxa mais por você. Como com o José Milton, meu produtor há 20 anos. Ele me faz regravar algumas vezes algumas faixas. No meu CD Amigos (1996) fiquei três meses gravando. Ficava revoltada de ter que gravar outras vezes a mesma música e ele brincava: "É bom que ela fica com raiva, aí solta a voz e estoura a caixa de som..." (risos) Nesse disco, às vezes levava uma hora para a faixa sair maravilhosa.
Pergunta: - Sua interpretação sempre foi muito quente...
Ângela Maria - Isso era instintivo. Pegava uma letra e sentia aquilo. É como acontece com esse pessoal que faz novela, que faz um personagem tão perfeito que parece que a própria pessoa é daquele jeito. Cantava a música como se aquilo estivesse acontecendo comigo.
Pergunta:- Muitas cantoras ficaram rotuladas por um estilo - Ademilde Fonseca com o choro, a Carmélia Alves com o baião, Nora Ney com o samba de fossa - mas isso não aconteceu com você...
Ângela Maria - Sempre cantei de tudo. Gravei muito samba-canção, boleros. Fiz cha cha cha uma época para alegrar um pouco os shows. Teve uma época que o samba-canção começou a ficar caidaço, aí passei para o bolero. Aí também resolvi lançar o fado de um jeito diferente, abolerado - e foi aquela "fechação". Depois, só dava rock balada e por aí fui sobrevivendo...
Pergunta:- Havia letras muito machistas em seu repertório... Você gravou até aquele cha cha cha que dizia que "a mulher é como chita..." (risos)
Ângela Maria - É mesmo (risos). Tem aquela também... Amante Bandido ("Me deu muitos beijos, matou seus desejos e depois levantou/ Me pisou me xingou, me humilhou e não disse o motivo/ E o pior disso tudo é que eu sei que sem ele eu não vivo")... E as de dor-de-cotovelo brabas, como A Partida (Ah! Se você me deixar/ Me deixe devagar...), do Evaldo Gouveia e Jair Amorim... Cantei essa música pouco tempo atrás numa festa fechada no Passatempo (SP) e a casa veio abaixo... Acho que as pessoas no fundo gostam e sentem falta dessas músicas de dor-de-cotovelo...
Pergunta: - Uma vez você confessou que todas as vezes que tentou gravar músicas mais chiques, de elite, não aconteceu nada...
Ângela Maria - Sou uma cantora do povo, não sou tipo Elizeth Cardoso. Uma vez a Elizeth foi lá em casa e me perguntou: "Como é que você faz sucesso desse jeito? Qual é o segredo?" E eu respondi: "Deve ser o tipo de música que eu gravo, que não deve ser do seu gosto..." E ela: "Faço tudo para agradar e não acontece nada..." E eu: "É que você faz uma música muito elitizada e o povo não gosta. Procure um Adelino Moreira, um Paulo Marques, um Ari Monteiro... (risos) Pede uma música a eles e veja se você vai estourar ou não..." Mas não era o gênero dela, que gostava mesmo de Vinicius de Moraes, Tom Jobim... Era a sociedade que ia assistir aos shows dela. E ela já estava cansada disso, queria ver o povo junto dela...
Pergunta: - Por outro lado, as músicas mais elaboradas que você gravou são algumas das que vão ficar para sempre...
Ângela Maria - A primeira música que o Tom Jobim fez com Luiz Bonfá fui eu quem gravou, A Chuva Caiu. Na época, teve alguma repercussão, mas não foi um estouro. Também gravei muito Caymmi, Ary, Vinicius...
Pergunta:- Aliás, você chegou a atuar num show ao lado do Dorival Caymmi...
Ângela Maria - Nós fizemos um show juntos em 53 na boate Casablanca, na Praia Vermelha, uma das casas mais bem frequentadas do Rio de Janeiro. O [presidente] Jango ia lá. Fiz o Vogue muito tempo também. Era uma cantora popular, mas era querida também pelo pessoal da alta sociedade nessa época porque fiz muita temporada nessas casas boas. Fui contratada para fazer um mês o show com Caymmi e fizemos oito ou nove meses de casa lotada todo dia. Caymmi é finíssimo. Tinha muita admiração e cuidado comigo porque achava que eu era muito nova. Pedia para o Carlos Machado, Paulinho Soledade: "Deixa ela no camarim e só chama na hora de entrar em cena." Era meio paizão...
Pergunta: - E o Waldir Calmon, quando o conheceu?
Ângela Maria - Conheci gravando Babalu, quando ele pediu à Copacabana para fazer esse disco comigo. Só podiam entrar sucessos.

Pergunta: - Babalu entrou no disco Quando os Astros se Encontram (58) meio por acaso...
Ângela Maria - Foi Waldir quem sugeriu, porque faltava uma música no repertório. Ele tocava esse mambo na boate Arpège e o pessoal gostava . Eu disse a ele que conhecia a música mas não sabia a letra. Quando ele a conseguiu, fomos ensaiar. Aí inventei aqueles floreios vocais por cima da música e ele achou ótimo. A cada ensaio, eu fazia melhor. O técnico ficou tão entusiasmado que gravou o ensaio e depois disse: "Melhor do que isso, duvido que fique." E foi o que ficou para sempre no disco.
Ângela explica que foi explorada por assessores e ex-maridos no passado, de sua relação delicada com Dalva de Oliveira e da amizade com Cauby Peixoto

Pergunta: - Na Revista do Rádio, manchetes como "O que falta para Ângela ficar totalmente feliz?" sempre repisavam o fato de que você só não era mais feliz porque não conseguia ter filhos...
Ângela Maria - Isso me dava uma raiva enorme, mexia muito comigo, porque realmente eu não podia mesmo tê-los. E as revistas ficavam repisando esse asssunto. Parece que sabiam que me revoltavam.
Pergunta:- Ao mesmo tempo, você foi nessa época uma das figuras mais fotografadas de nossa música...
Ângela Maria - Fotografavam-me toda semana. Eu gostava de fazer pose. E isso continua até hoje. O meu fotógrafo (Montenegro) quase desmaia comigo... Ele me diz: "Não agüento essa mulher. Ela adivinha a pose, não precisa nem mandar ela fazer" (risos).
Pergunta:- Você sofreu muito na mão de seus antigos maridos e namorados?
Ângela Maria - Eu gosto de falar sobre o passado quando é bonito, maravilhoso. Mas sobre isso não. Passei muito mal na mão desses caras. Fui espezinhada, fui maltratada. Isso interferiu até na minha profissão. Fui muito violentada, enganada. Tanto que eu quase fui a zero nas finanças. Quem me ajudou a levantar foi Daniel. Estava disposta a largar tudo. Eu pensava que, já que ia para a miséria, que devia ir de uma vez, porque parecia que tudo tinha acabado. Fugi até do Rio, fui embora pra São Paulo, não queria ver mais ninguém. Quase tentei o suicídio, estava desesperada com esse pessoal. Pedi ao Daniel, porque vi que era uma pessoa honesta e sincera: "Pelo amor de Deus, tome conta dos meus negócios e me ajude, porque não sei como sair disso". Ele tinha um restaurante que, naquela altura, não podia largar.
Pergunta:- Quando é que as coisas começaram a ficar ruins para você?
Ângela Maria - Em 67, quando me mandei do Rio. Cheguei a São Paulo e pedi ajuda para a Copacabana, minha gravadora. Comprei uma casa e fiquei lá, mas aí começou a cair tudo. Eu, sem nenhuma noção de nada, dava dinheiro para meus assessores pagarem imposto da casa e não pagavam. Até o cemitério que tinha que pagar todo mês, não pagavam. No Natal, mandava garrafas de vinho de presentes para jornalistas. Mas o dinheiro, os fornecedores não viam. Meu nome ficava mal.
Pergunta: - Além de você já não vender tanto disco, teve ainda esse outro lado ruim...
Ângela Maria - Só encontrei gente para me explorar e mais nada, e não me indicar o caminho certo da coisa. Ninguém me ensinou nada. Só o Daniel. "Não estou devendo nada...", eu dizia a ele. Um dia ele viu: a pessoa que recebeu o cheque vir me cobrar. A pesssoa que trabalhava para mim era desonesta. Daniel descobriu todos os ladrõezinhos, meus empregados. Fez uma limpeza geral na minha casa. Depois, voltou tudo ao normal, porque ele tem uma cabeça de 60 anos e eu de 15. É claro que tem meninas de 15 que têm juízo. E eu não, acredito em todo mundo. Melhorei um pouco, mas ainda hoje ele ainda briga comigo: "Você está acreditando nisso?" É que eu ainda acredito nas pessoas...

Pergunta:- Quando você conheceu Daniel sofreu muito preconceito por ele ser cerca de 30 anos mais jovem que você?
Ângela Maria - Com o Daniel foi pior ainda. Não admitiam que eu fosse mais velha que ele. Isso é que machismo. Sempre houve. Não admitiam, como se no amor existisse isso, mas o contrário pode... Eles apostavam. Minha raiva é essa. Batendo papo, beijando no rosto e apostando por trás que ia acabar nossa união pela idade dele e quebraram a cara. Um dava um mês. Agora, estamos há 22 anos juntos.
Pergunta: - Quem era realmente seu amigo no meio musical?
Ângela Maria - Amigo mesmo era o Cauby Peixoto. Freqüentei a casa dele e ele a minha. Sempre foi um gentleman, pessoa maravilhosa. E a voz dele é a única no Brasil que casa com a minha. A gente se entende espiritualmente, no olhar. Os outros cantores eram colegas. A gente se via na rádio, na televisão.
Pergunta: - Você, que começou imitando Dalva de Oliveira, quando virou estrela teve alguma rixa com ela?
Ângela Maria - Conhecia a Dalva pelos corredores das emissoras de rádio. A gente apenas se cumprimentava, não éramos amigas. Eu era uma espécie de rival dela. Ela se assustava porque quando estava no auge da carreira, eu estava começando com força total e já pegando os fãs dela. E ela não gostava muito disso...
Pergunta: - Qual a análise que você faz dos seus 50 anos de carreira?
Ângela Maria - O saldo foi positivo. Teve passagens negativas, tive algumas coisas, como por exemplo esses anos em que passei por essas peripécias ruins, mas tive um anjo salvador, o Daniel. Sabe quando você está caindo? Enquanto eu viver não vou esquecer. Ele me tirou de um fundo de poço e realmente me deu uma mão... Nunca pensei que uma pessoa jovem me desse uma ajuda dessas.
Pergunta: O que não fez e ainda gostaria de fazer pela MPB?
Ângela Maria - Não fiz muita coisa. Uma coisa é um show no Teatro Municipal do Rio, de alto nível, com orquestra, coral, guarda-roupa... mas com portas abertas ao público que não tem possibilidades financeiras de ver um espetáculo como esse. Outra idéia é a de voltar a gravar, fazer a continuação do CD Amigos (em duetos com os principais expoentes da MPB, de 96).
Rodrigo Faour 23/02/2001
Fonte:CliqueMusic


Ângela Maria 1957 "Mentindo" filme "Rio Fantasia" de 1957, direção de Watson Macedo





Ângela Maria - Adeus Querido -
Compositor: Eduardo Patané e Floriano Faissal Artista: Angela Maria Filme: Fuzileiro do Amor, 1956 Diretor: Eurides Ramos






Ângela Maria e Elis Regina 1972





Angela Maria canta "Tango Pra Tereza" - 1975




Domingo, 30/07/1978 - Ângela Maria é considerada a melhor cantora brasileira
Pesquisa do Ibope encomendada pelo Fantástico enumera as dez melhores cantoras brasileiras na preferência do povo. Entre elas estão Fafá de Belém e Rita Lee, mas a vencedora é Ângela Maria.





FAFÁDE BELÉM E SAPOTI(ANGELA MARIA)




Ângela Maria e Altemar Dutra

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